Histórico
O
Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos
Bancários de Santa Rosa e Região
O
SEEB - Santa Rosa foi fundado a partir da emissão da
CARTA emitida como segue:
O MINISTRO DE ESTADO DO TRABALHO FAZ SABER o quantos esta
CARTA virem que, atendendo ao que requereu a ASSOCIAÇÃO
PROFISSIONAL DOS EMPREGADOS EM ESTABELECIMENTOS BANCÁRIO
DE SANTA ROSA, com sede em SANTA ROSA no ESTADO DO RIO GRANDE
DO SUL, resolve aprovar o respectivo estatuto e reconhecê-la
sob a denominação de SINDICATO DOS EMPREGADOS
EM ESTABELECIMENTOS BANCÁRIOS DE SANTA ROSA, como sindicato
representativo da correspondente categoria profissional, integrante
do 1º grupo: empregados em estabelecimentos bancários
do Plano da Confederação Nacional dos Trabalhadores
nas Empresas de Crédito, na base territorial do município
de SANTA ROSA, com sede em SANTA ROSA no ESTADO DO RIO GRANDE
DO SUL, de acordo com o regime instituído pela CONSOLIDAÇÃO
DAS LEIS DO TRABALHO.
E, para firmeza, mandou passar a presente CARTA, que vai por
mim assinada.
Brasília, 25 de janeiro de 1979
HISTÓRIA DO MOVIMENTO BANCÁRIO
Os bancários exerceram um papel muito importante na
construção da história da classe trabalhadora
brasileira. Foram muitos anos de luta. Desde a década
de 30 os bancários vêm se organizando para a
construção de um projeto nacional representativo
de toda a classe trabalhadora, rompendo com as amarras do
sindicalismo atrelado ao Estado, assistencialista e corporativo,
para tornar-se uma entidade representativa de classe, democrática
e de luta contra as injustiças sociais.
As primeiras entidades sindicais de bancários do Brasil
foram criadas nos anos 20, quando o Sistema Financeiro estava
ligado, principalmente, aos setores agrícolas, sobre
tudo a cafeicultura de exportação, por isso,
eram poucas e concentradas regionalmente.
Com a mudança da economia brasileira na década
de 30, que passou do modelo agrário-exportador para
o urbano-industrial, o Sistema Financeiro começou a
se expandir, acentuando-se com isso, a concentração
e centralização do capital, e embora a característica
do Estado nessa época fosse intervencionista, nada
fez contra os interesses do capital financeiro, fazendo com
que as ações partissem do sindicalismo. Nesta
época, já existiam bancários em todo
o país, porém, os sindicatos estavam concentrados
nos grandes centros.
Em 1934, os bancários de todo o país, liderados
pelos sindicatos de São Paulo, Rio de Janeiro e Santos,
fazem uma grande paralisação nacional, e conquistam
o direito à estabelidade no emprego após dois
anos de contrato e criam o IAPB, Instituto de Aposentadorias
e Pensões dos Bancários. A partir dessa mobilização
o Estado começou a endurecer e perseguir o sindicalismo,
criando a Lei de Segurança Nacional para conseguir
o seu intento, o que culminou com o advento do Estado Novo.
Em 1945 e 1946, ocorrem duas grandes paralisações
dos bancários em todo o país, resultando num
Acordo Coletivo de aplicação nacional. A partir
daí, o Estado comandado por Dutra comanda outra repressão
ao sindicalismo, colocando o PCB na ilegalidade e intervindo
nos maiores sindicatos do Brasil, dentre eles o Sindicato
dos Bancários de São Paulo.
Em 1951, terminada a intervenção nos sindicatos,
acontece a mais longa paralisação realizada
pelo movimento bancário que reivindicava 40% de reajuste
salarial. Em São Paulo, foram 69 dias de paralisação.
A unidade que havia no início do movimento foi rompida
em virtude dos banqueiros dissiparem a greve em alguns sindicatos,
realizando com esses, acordos em separado, pagando 20 e 25%
de reajuste, e em relação ao Sindicato de São
Paulo, recorrem à Justiça para julgar a Greve,
e as consequências foram demissões em massa,
transferências compulsórias e por dez anos que
se sucedeu, as assembléias dos sindicatos se esvaziaram
com medo de represália dos banqueiros. Esta década
caracterizou-se pelo esforço da categoria bancária
em organizar-se em nível nacional para conseguir seus
objetivos, o que culminou com a criação, em
1956, da Comissão Executiva Nacional dos Bancários
e em 1957, a Federação dos Bancários
de SP e em 1958, a CONTEC.
No início dos anos 60 retomam-se as mobilizações
nacionais dos bancários, e após 10 anos, em
1961, realizam uma nova greve nacional. Em 62 e 63, quando
a política se agitava no país, repetem-se as
paralisações. Em 1964 o Golpe Militar coloca
sob intervenção do Ministério do Trabalho
centenas de sindicatos, não apenas para controlar a
atividade político-sindical, mas para coibir a unificação
nacional do movimento. Surgiram nesta época novos sindicatos
desmembrados da base de sindicatos importantes, como o de
São Paulo, com o objetivo de criar lideranças
sindicais dóceis ao Regime Militar implantado. A retomada
dos sindicatos como órgão de luta dos trabalhadores,
somente acontece, no início dos anos 80, porém,
o resultado, catastrófico. Estes longos anos de domínio
militar conseguiram desarticular o trabalho político-sindical
de três décadas, e até hoje, encontramos
resquícios de sindicalismo herdeiro daquele regime.
Para os bancqueiros, todas as intervenções do
Estado neste setor vieram em benefício próprio.
Em setembro de 1979 os bancários tentam realizar a
primeira paralisação desde 1963. Devido a um
grande tumulto ocorrido nas ruas e no centro de São
Paulo, fracassa esta tentativa e em 1980, o sindicato propõe
ao invés da paralisação da categoria,
o estrito cumprimento da legislação trabalhista
no limite de jornada de trabalho de 6 horas diárias.
Nesta década de 80, acontecem muitos conflitos pela
retomada do verdadeiro sindicalismo, entre os perseguidos
pelo Regime Militar que se intitulavam sindicalismo autêncico
e os permitidos pela Ditadura que eram conhecidos por herdeiros
da intervenção de 64 . Estes conflitos culminaram
com a criação da CUT em 1983 pelos sindicatos
autênticos e com a adesão de vários sindicatos
bancários liderados por São Paulo. A tão
sonhada unificação da categoria somente acontece
com o início da Abertura Política em 1985, quando
todos os bancários do país tem sua base fixada
em 1º de setembro.
Em 1985 os sindicatos dos bancários dirigidos por uma
Executiva Nacional eleita em Congresso da categoria realizam
a primeira greve nacional após 1964. Os banqueiros
haviam apostado no fracasso do movimento sindical e se deram
mal. A greve foi um sucesso, tanto que as reivindicações
da categoria foram atendidas quase que integralmente. Nesta
metade de década, 85-90, foram os anos dourados do
movimento sindical brasileiro, pois não houve ano em
que não se deflagrou algum movimento ou ação
em busca de melhores condições de vida para
toda a categoria.
A partir de 1990 o Movimento Sindical começa a enfrentar
suas contradições. A unificação
do processo negocial que reunia todos os bancos, públicos
e privados, no final de 89 começa a ser rompida. Nos
bancos públicos controlados pelos Governos Federal
e Estaduais, que até então se caracterizavam
por empregos estáveis, perspectiva de carreira e salários
superiores, começa-se a criar fóruns próprios
de organização e negociação, dispersando
por sua vez, a ação conjunta da categoria.
A eleição do Governo Collor determinou uma acirrada
crise institucional e econômica no país, com
reflexos desastrosos para o setor bancário, que passa
a enxugar os seus quadros tanto no setor público como
privado, e as greves da categoria bancária neste período,
já não aconteciam na totalidade do país,
mas isoladamente, nos grandes centros, por sua vez, os acordos
firmados com os banqueiros deixavam de contemplar todas as
necessidades da categoria, principalmente no setor público.
Com o Governo FHC, a situação do emprego bancário
se agravou. No setor público federal, desde o início
do Plano Real não acontece reajuste de salário
e neste último ano, a situação se agravou,
ainda mais, com a ameaça constante do desemprego e
não reconhecimento de direitos adquiridos.
No setor privado, que recicla seus quadros constantemente,
o medo do desemprego faz com a participação
dos bancários nas atividades do sindicato, seja cada
vez menor. As ações do movimento sindical, como
a Greve no último período, é direcionada
aos grandes centros onde ainda existe um bom contingente de
bancários.
Em virtude da diminuição considerável
da categoria, as atividades sindicais tem se voltado em muito
ao campo das ações judiciais, o que se opõe
a toda uma história de lutas da categoria que em seu
percurso sempre procurou afastar-se do Poder Normativo da
Justiça, até por não acreditar muito
nesta hipótese ser favorável aos seus interesses.
Em síntese, resgatando um pouco da história
do movimento sindical brasileiro, deve-se repensar novas estratégias
de enfrentamento e de organização do movimento
sindical, reforçando neste aspecto, a organização
por local de trabalho, com a finalidade de superar a própria
crise por qual passa o sindicalismo como um todo.
Cabe ao movimento sindical, que deseja ser o representante
do conjunto dos trabalhadores, formular e implementar políticas
que respondam às novas demandas que surgem a cada dia,
com as mudanças no mercado do trabalho.
As práticas tradicionais de sindicalismo dos anos 80,
a mobilização em torno das datas-bases, dos
reajustes salariais e das greves massivas, estão cada
vez mais sendo substituídas por novos desafios, como
o desemprego, a participação nos lucros, a flexibilização
das normas de trabalho, a reestruturação do
Sistema Financeiro, a Reforma do Estado, as privatizações,
a terceirização dos serviços, a transferência
da atividade bancária para outros setores, etc.
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